Sentir.mentes

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector

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Paranóia
Todo mundo tem paranóias não é mesmo? Uns têm com o seu cabelo, outros com o seu olho e até mesmo com o nada que pensam ser alguma coisa. É confuso.
Quando tenho minhas crises de carência (que, infelizmente, é uma paranóia muuuito grande) quero me perder no mundo e ao mesmo tempo quero ser encontrada por ele, quero que ele me magoe, porque sei que o magôo e ao mesmo tempo quero ser tão compreendida e aceita. É confuso, eu sei.
E daí? Eu me pergunto. E daí se eu tenho aquele abraço de urso? E daí se eu tenho aqueles olhinhos de bolinha de gude que tanto me fascinam? E daí se eu tenho aqueles lábios carnudos onde eu posso me perder nas mais variadas sensações e desejos? Nenhuma carência conseguiria me arrancar desse meu paraíso tão particular, o mundo poderia me devorar com toda a sua revolta que eu sentiria apenas o abraço, apenas o olhar, apenas o beijo, apenas ele, ele, ele, sempre ele!
Sempre ele, essa é a mais pura das verdades, e o alvo de minhas paranóias. Coitado, para me deixar um pouco mais segura, um pouco mais feliz tem que me dizer de cinco em cinco segundos que me ama, deve ser realmente cansativo, tento entender isso, mas quando sua voz chega ao meu coração, não quero entender mais nada. Ponto final.
Sabe como chamam isso? Completa burrice! Eu preferiria que ele me xingasse, que ele me mandasse calar a boca, porque já ta cansado de ouvir a mesma ladainha todo santo mês do que me chamar de meu amor, de minha linda e dizer que me ama, se ele ao menos mandasse eu calar a boca...seria um favor que ele faria a mim. Nem eu me agüento mais. Não dá pra fugir de si mesmo, infelizmente.
Quando a razão volta pra mim (se é que um dia eu a tive) eu vejo o quão burra eu sou! Nessa minha ânsia de querer sempre mais o amor dele, de querer me entupir com o seu cheiro, de me perder nos seus olhos, eu quase o enlouqueço, eu quase o faço ir cada vez mais longe de mim, eu quase o faço não me amar mais. Mas é só quase. Por alguma razão que desconheço, que nem ele sabe, esse cara de olhinhos de bolinha de gude, do sorriso mais perfeito e cativante, do cabelinho q enrola atrás de sua orelha, das mãos tão grandes que me aperta por alguma razão ele volta, por alguma razão ele vem pra mim com o maior amor do mundo no coração e um chocolate na mão. É sem dúvida loucura e delicioso, ou quem sabe simplesmente amor.
Digo a mim mesma que não voltarei a ter qualquer paranóia, de espécie alguma, seja ela qual for (nem com o meu cabelo!), uma paranóia traz a outra, uma mais profunda que a outra. Não adianta. Parece um parasita que espera a hora certa para se instalar e começar a te matar, pouco a pouco, é mais humilhante. Loucura.
No entanto, lá está ele, a me esperar como se nada tivesse acontecido, como se eu não o tivesse feito enxergar que ele está do lado de uma pessoa cheia de defeitos, insegura, burra, arrogante por pensar que somente ela consegue amar com tanta intensidade. Como pode ser isso? Aceitar-me assim, tão incompleta, tão tudo, tão nada. Ele me disse que é amor, acredito.
Acredito que ele me faz tão feliz que parece que roubei toda a felicidade do mundo, acredito que ele me ama como sou, acredito que quando ele me olha, ele vê a pessoa mais segura, mais inteligente, mais humilde, e ele me ama mais por isso. É tão estranho e tão reconfortante saber que mesmo sendo incompreensível, ele me compreende e pelo amor de Deus ele me AMA!

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